Description: O tema da intensidade do vento foi obtido do Global Wind Atlas (GWA 3.1) [https://globalwindatlas.info], que é o resultado de uma parceria entre o departamento de energia eólica da Technical University of Denmark (DTU Wind Energy) e o World Bank Group. O GWA utiliza um processo de downscaling. Os dados climáticos eólicos em pequena escala são obtidos por reanálise atmosférica, recorrendo ao conjunto de dados ERA5 do European Centre for Medium-Range Weather Forecasts (ECMWF), para o período de simulação 2008-2017. Os dados estão condensados numa grelha com um espaçamento de aproximadamente 30 km. Estes dados são utilizados numa segunda etapa para forçar o modelo de mesoscala WRF, usando um espaçamento de grelha de 3 km. Esta grelha é usada para generalizar um conjunto de climas de vento, que são considerados no sistema de modelação em microescala, que consiste num cálculo WAsP de climas eólicos locais para cada 250 m a cinco alturas: 10 m; 50 m; 100 m; 150 m; e 200 m. A modelação WAsP entra em consideração com a topografia, orografia, uso do solo e rugosidade do terreno. A variável modelada neste trabalho corresponde à velocidade média do vento, a 10m de altura acima da superfície topográfica. A sensibilidade à ocorrência de vento intenso foi classificada em 5 classes em função da intensidade média do vento, conjugando a classificação sugerida pelo IPMA com a escala de Beaufort .Assume-se que a probabilidade de ocorrência de ventos fortes e muito forte tem uma forte correlação espacial com a distribuição da intensidade média do vento.
Description: Recorreu-se diretamente às projeções climáticas do EURO-CORDEX, com uma resolução espacial de 12 km, para estimar a precipitação máxima diária com período de retorno de 10 anos, no final do século XXI (2071–2100), considerando o cenário de emissões RCP 8.5.As séries temporais, provenientes do conjunto de dados EURO-CORDEX, resultam da combinação do modelo climático global ICHEC EC EARTH com o modelo climático regional RACMO22E do KNMI (Koninklijk Nederlands Meteorologisch Instituut).
Description: A avaliação da suscetibilidade a cheias teve em consideração a documentação disponível a partir de trabalhos anteriores, nomeadamente: (i) as zonas inundáveis com período de retorno de 100 anos, correspondentes às Áreas de Risco Potencial Significativo de Inundação (ARPSI), definidas nos Planos de Gestão dos Riscos de Inundações (PGRI), disponibilizadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA); e (ii) a delimitação de zonas inundáveis nas regiões da Área Metropolitana de Lisboa, Oeste, Lezíria e Médio Tejo, assumidas com período de retorno de 100 anos, a partir da informação do Quadro Regional da Reserva Ecológica Nacional da AML e do Oeste, da delimitação da inundação associada à cheia de 1979 no rio Tejo pelo LNEC, da delimitação da cheia centenária no rio Sado pelo LNEC, e de um conjunto de zonas ameaçadas zonas ameaçadas pelas cheias traçadas ao nível municipal, no âmbito da delimitação da Reserva Ecológica Nacional e da revisão de Planos Diretores Municipais (CCDRLVT, 2020). Refira-se que estas estimativas estão em consonância com as projeções do Plano de Gestão dos Riscos de Inundações 2022/2027 (APA, 2023a,b,c,d,e,f,g,h). A análise efetuada, nestes documentos, aos impactos das alterações climáticas nos caudais de ponta de cheia para o período de retorno de 100 anos, teve por base a informação disponibilizada no portal do clima (http://portaldoclima.pt/pt/) e considerou que haverá um aumento da frequência de eventos extremos, com a ocorrência de precipitações de grande intensidade, concentradas em períodos curtos, sendo expectável um aumento das intensidades de precipitação associadas ao período de retorno de 100 anos. Adicionalmente, foi estimada a possível variação dos caudais de ponta para o período de retorno com probabilidade de ocorrência média (T = 100 anos), para o período 2041-2070, tendo sido projetados incrementos entre 2% e 7%. Estes valores são compatíveis com a redução estimada no período de retorno para a cheia centenária nas várias regiões hidrográficas de Portugal continental.
Description: A evolução futura da linha de costa e as projeções de inundações costeiras extremas foram obtidas através de modelações hidrodinâmicas e morfodinâmicas de alta resolução, aplicadas a cinco localizações costeiras chave (Ofir, Costa Nova, Cova Gala, Costa da Caparica e Praia de Faro). Para cada uma destas localizações foi determinado o Total Water Level (TWL), projetado com período de retorno de 25 anos, obtido através da combinação probabilística das suas 3 componentes (subida do nível do mar, efeito das marés e storm surge), ao qual se sobrepõem 3 eventos extremos de agitação marítima. Os resultados da evolução da linha de costa em cada uma dessas localizações foram posteriormente utilizados para definir um modelo semiempírico de evolução da linha de costa, aplicado a todas as áreas costeiras de Portugal continental. A abordagem baseia-se na combinação de diferentes tipos de informação, incluindo projeções do clima, de ondulação e de Total Water Level (TWL), forçados por modelos GCM/RCM (incluindo subida do nível do mar, marés e galgamentos), características geomorfológicas, cenários de inundações extremas, modelos de erosão e recuo da linha de costa do território continental português, que os autores denominaram por Índice de Vulnerabilidade Costeira (IVC) (Lemos et al., 2024). Este procedimento foi antecedido pela divisão da zona costeira de Portugal continental em quatro categorias: litoral baixo arenoso, litoral rochoso ou com estruturas longitudinais aderentes, litoral urbano artificializado e praias urbanas/abrigadas. Seguindo a metodologia apresentada por Rocha et al. (2020), o Índice de Vulnerabilidade Costeira (IVC) é obtido pela combinação de dois índices intermédios: Índice de Perigo de Inundação Extrema (IPIE) e Índice de Suscetibilidade Física (ISF). O primeiro traduz o perigo, representado pela forçante externa sobre a costa (influência da subida do nível do mar, marés, galgamentos e ondas), enquanto o segundo representa a suscetibilidade física do litoral, determinada por um conjunto de parâmetros como a rede hidrográfica, a distância até a linha costeira, o tipo de costa, a geologia e o uso do solo, ponderados com recurso a um processo de análise multicritério. Todos os índices foram classificados em três níveis de relevância (níveis 1 a 3). O Índice de Vulnerabilidade Costeira (IVC) foi avaliado através de diferentes combinações de recuo da linha de costa, projeções de inundação e galgamento, para diferentes tipologias identificadas na zona costeira de Portugal continental: para os litorais arenosos baixos e expostos, o IVC combinou erosão com o perigo de inundação extrema; para os litorais com estruturas aderentes e/ou litorais urbanos artificializados, o IVC combinou o perigo de inundação extrema com o galgamento; para casos de águas interiores, como estuários ou sistemas lagunares, o IVC foi definido apenas pelo Índice de Perigo de Inundação Extrema (IPIE).
Description: A sensibilidade à instabilidade de vertentes em Portugal continental foi avaliada com recurso a um método estatístico bivariado de base Bayesiana: o Valor Informativo (VI) (Zêzere et al. 2018). O modelo considerou 7 fatores de predisposição: declive, altitude, índice de posição topográfica, litologia, tipo de solo, unidades ecológicas, e água disponível (precipitação – evapotranspiração potencial). Como variável dependente utilizou-se um inventário de movimentos de massa em vertentes que conta com 7387 ocorrências, identificadas com trabalho de campo e interpretação de fotografias aéreas, em 14 áreas amostra no território português, que cobrem uma superfície total de 11.547 km2 (13% da área total de Portugal continental) e são consideradas representativas da variedade geológica e geomorfológica de Portugal (Zêzere et al., 2018). O modelo de suscetibilidade foi calibrado no território correspondente às 14 áreas amostra, cruzando os movimentos de massa em vertentes com os fatores de predisposição da instabilidade de vertentes classificados e estabelecendo o peso das classes de cada fator com recurso à primeira equação do método do Valor Informativo (Yin & Yan, 1988; Zêzere, 2002).
Description: A sensibilidade aos incêndios rurais/florestais foi avaliada com recurso a um método estatístico bivariado de base Bayesiana: o Likelihood Ratio (LR), aplicado à totalidade do território de Portugal continental, utilizando como fatores condicionantes o declive, a altitude e o uso e ocupação do solo, e como variável dependente as áreas ardidas no período 1975-2018 (Oliveira et al., 2021).Este método foi o utilizado na avaliação da suscetibilidade aos incêndios rurais em Portugal, que sustenta a carta de perigosidade estrutural de incêndio rural do ICNF. Refira-se que as megaclasses “territórios artificializados”, “zonas húmidas” e “corpos de água” foram excluídas da análise, seguindo a metodologia preconizada no Guia para os Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios (ICNF, 2012). Esta abordagem está alinhada com o preconizado pelo Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (DL nº82/2021, de 13 de outubro), que define como “Territórios rurais” os territórios florestais e os territórios agrícolas.A estimativa das probabilidades futuras de incêndio rural teve em consideração os resultados de Sousa et al. (2015) na projeção das áreas ardidas anuais até 2080 para 4 clusters ibéricos (áreas homogéneas de predisposição para a ocorrência de incêndio rural/florestal), onde o território português se reparte em dois clusters: NW (distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro, Viseu, Coimbra e Leiria) e SW (distritos de Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Santarém, Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e Faro).
Description: A caracterização da sensibilidade territorial ao Calor Excessivo foi efetuada tendo como referência a distribuição espacial dos dias muito quentes (com temperatura máxima ≥ 35 °C), para os últimos 30 anos do século XXI (2071-2100) e o cenário climático RCP 8.5. Na cenarização do clima futuro utilizou-se o ensemble dos modelos climáticos regionais, a partir do ensemble dos modelos globais, disponíveis no Portal do Clima(http://portaldoclima.pt/pt/).